"Pesquisa é o processo de entrar em vielas para ver se elas são becos sem saída." (Marston Bates)

sábado, 12 de maio de 2012

ANTICORPOS


         Os anticorpos (também chamados de imunoglobulinas e gamaglobulinas) são proteínas séricas, produzidos pelas células brancas. São moléculas produzidas pelo desencadear do mecanismo de defesa imunitária específica, em resposta à presença de um dado antigênio.

          Nos órgãos linfoides (baço e gânglios linfáticos) existem tipos diferentes de linfócitos B, cada qual reconhecendo um antigênio específico.

             Quando um tipo de linfócito B é ativado pelo antigênio para o qual possui receptores, entra em processo de diferenciação, transformando-se em plasmócitos, células que irão originar células de memória (ativas em futuras reinfecções pelo mesmo agente) e em anticorpos, que se libertam nos fluidos circulantes (sangue e linfa), onde viajam até ao local da infecção.
Quando um anticorpo se liga a uma toxina, passa a chamar-se antitoxina.


ESTRUTURA GERAL DOS Ac:

    Quimicamente, os anticorpos são glicoproteínas, formadas por quatro cadeias polipeptídicas interligadas entre si:


 - 2 cadeias pesadas (mais longas) 
- 2 cadeias leves (mais curtas), 
- Pontes dissulfeto
- Região da Dobradiça
- Região variável
- Região Constante
- Região Hipervariável

         A sequencia de aminoácidos que formam a molécula apresenta uma larga zona comum, constante entre vários tipos de anticorpos (são locais de interação com outros elementos de sistema imunitário), sendo que apenas a zona dos dois braços superiores do "Y" apresenta uma sequencia química variável, única para cada anticorpo, já que é complementar de outra de um dado antigênio, conferindo assim especificidade ao anticorpo.


Os anticorpos raramente conduzem diretamente à destruição do agente invasor cujo antigênio reconhecem, atuando antes como marcadores, intensificadores de outras respostas de defesa do organismo.


A formação do complexo antigênio-anticorpo origina um acentuar da resposta inflamatória, intensificando a vasodilatação e a permeabilidade capilar, o que permite uma migração mais fácil das células fagocitárias, que aumentam a sua atividade quando detectam o complexo antigênio-anticorpo.


Estas glicoproteínas imunitárias atuam ainda provocando a aglutinação e a precipitação dos antigênios, neutralizam vírus e toxinas bacterianas e provocam a ativação do sistema complemento, cujas proteínas podem provocar o surgimento de poros na membrana de revestimento dos agentes invasores, levando à sua lise e consequente destruição.



Tipos de anticorpos:

  • imunoglobulina A (IgA)
  • imunoglobulina D (IgD)
  • imunoglobulina E (IgE)
  • imunoglobulina G (IgG)
  • imunoglobulina M (IgM)

... tendo em conta especificidades da sua estrutura e modo de ação.




A vacinação é um método de provocar a imunidade adquirida contra doenças específicas. A  sua administração visa, através da inoculação de organismos mortos ou inativados, colocar os linfócitos B a produzir células de memória e anticorpos, os quais passam a estar imediatamente disponíveis, anulando riscos de infeção pelos micro-organismos presentes na vacina.


ONDE ENCONTRAMOS Ac?


1. Na forma livre secretada, onde vamos encontrá-los dissolvidos no plasma, nas nossas secreções, mucosas, no fluido intersticial...

2. Na forma de PROTEÍNAS INTEGRAIS DE MEMBRANAS, onde os Ac vão estar presos nas superfícies celular de algumas células.





FUNÇÕES DO Ac: As imunoglobulinas ou anticorpos – proteínas especializadas sintetizadas pelos linfócitos – podem  reconhecer e precipitar, ou neutralizar, invasores como bactérias, vírus ou proteínas estranhas oriundas de outras espécies.
  1. Receptores de membrana de linfócitos B: Os Ac são os receptores de Ag da superfície dos linfócitos B, na forma PROTEÍNAS INTEGRAIS DE MEMBRANAS.
  2. Neutralização: inativação de vírus e toxinas:  Quando alguns Ac vão interagir com alguma toxina bacteriana no momento que eles formam os chamados COMPLEXOS IMUNE.
  3. Opsonização: É a capacidade que os Ac têm de acelerar a fagocitose.
  4. Aglutinação: É o agrupamento de antígenos. Alguns Ac tem a capacidade, devido a sua formação, de se ligar a mais de um Ag ao mesmo tempo. Isso faz com que os ag fiquem aglutinados, facilitando a captação e a destruição dos Ag.
  5. Precipitação: Ac ligam-se à Ag solúveis tornando-os insolúveis: Ac se ligam a Ag solúveis tornando-os insolúveis. Alguns Ag estão circulando na nossa corrente sanguínea , então quando o Ac se liga a esse ag esse complexo imune se deposita na superfície dos tecidos, facilitando que os fagócitos encontrem esses complexos.
  6. Ativação do Sistema Complemento: Ac combinam-se aos Ag do Sistema Complemento levando a lise da célula microbiana.





FONTES:

sexta-feira, 11 de maio de 2012

PROTOZOÁRIO

     Os protozoários, seres cujo tamanho pode variar entre 2 e 1000 μm, são organismos exclusivamente unicelulares, ou seja, formados por uma única estrutura celular e microscópicos pertencentes ao Reino Protista , sendo a maioria heterotrófica . Portanto, não consegue converter (sintetizar) matéria orgânicaa partir da inorgânica, necessitando absorver os nutrientes do meio externo.



Algumas espécies de protozoários têm vida livre. Outras vivem como parasitas em organismos de animais, ocasionando doenças infecciosas e parasitárias.

      Podem relacionar-se com o homem de forma COMENSAL (SAPROFÍTIDA) ou PATOGÊNICA.

           Quase todos os seres humanos têm protozoários em seu corpo em algum momento em sua vida. No entanto, nesta época de síndrome de imunodeficiência humana adquirida (SIDA), alguns protozoários que causou uma vez leve ou nenhuma doença tornaram vida em risco. Um bom exemplo é a pneumonia por Pneumocystis pneumocística. Este protozoário é encontrado nos pulmões de muitas pessoas saudáveis. No entanto, em pacientes com AIDS”" pode causar pneumonia fatal.

          A maioria dos protozoários são de vida livre e aquática podendo ser encontrados na água doce, salobra ou água salgada, levam vida livre também em lugares úmidos rastejando pelo solo ou sobre matéria orgânica em decomposição no entanto algumas espécies levam vida parasitária nos organismos de diversos hospedeiros e assim passam a maior parte da vida parasitando diversas espécies de seres vivos e dessa forma lhes causando muitas doenças. A reprodução dos protozoários geralmente é assexual acontecendo por divisão múltipla onde o microorganismo apenas se divide em cópias dele mesmo, alguns produzem esporos para se disseminarem pelo ambiente, às vezes alguns também apresentam reprodução sexual havendo nítida troca de material genético entre um micro-organismo e outro.

Alguns tipos de protózoarios
     Os protozoários são classificados em quatro grupos, segundo a presença e o tipo de estrutura de locomoção. 

- Rizópodes: locomoção por pseudópodes, que são pseudo-pés (pés-falsos);

- Ciliados: locomoção através de cílios;

- Flagelados: locomoção através de flagelos;

- Esporozoários (ou apicomplexos): não têm sistema de locomoção;


          É uma única célula que, para sobreviver, realiza todas as funções mantenedoras da vida: alimentação, respiração, reprodução, excreção e locomoção. Para cada função existe uma organda própria, como, por exemplo:

-cinetoplasto: provavelmente é uma mitocôndria especializada, sendo muito rico em DNA;
-corpúsculo basal: base de inserção de cilios e flagelos;
-reservatório: supõe-se que seja um local de secreção, excreção e ingestão de macromoléculas, por pinocitose;
-lisossoma: permite a digestão intracelular de partículas;
-aparelho de Golgi: síntese de carboidratos e condensação da secreção proteica;
-reticulo endoplasmático: a) live—síntese de esteroides; b) granuloso—síntese de proteínas;
-mitocôndria: produção de energia;
-microtúbulos: movimentos celulares (contração e distensão);
-flagelos, cílios, membrane ondulante e pseudopodos: locomoção;
-axonema: eixo do flagelo;
-citóstoma: permite ingestão de partículas.



FONTES:

sábado, 21 de abril de 2012

HELMINTOS

           Os primeiros registros de doenças causadas por vermes parasitários, ou helmintos, se encontram no papiro de Ebers, de 1500 a.C., em que se reconhecem descrições de tênias e lombrigas, estas últimas de incidência ainda bastante comum no Brasil e outros países do terceiro mundo no final do século XX.

Helmintos ou vermes são animais metazoários muitos dos quais parasitos que vivem em várias partes do corpo humano. 

       Os helmintos podem-se classificar em três grandes grupos: nematódios, ou vermes cilíndricos; cestóides, ou vermes chatos; e trematódeos, providos de ventosas.

            Os helmintos podem multiplicar-se dentro ou fora do corpo do hospedeiro. Isso depende do ciclo vital específico de cada parasito. 
     Os que parasitam o intestino do homem quase nunca produzem por si sós a morte do hospedeiro. Trazem, no entanto, malefícios ao organismo parasitado, muitas vezes debilitando-o perigosamente. Entre os helmintos intestinais mais comuns estão os oxiúros, os ascarídeos, os ancilóstomos e as tênias.


- NEMATÓDEOS ou vermes cilíndricos: 

          São considerados o grupo de metazoários mais abundante na biosfera, com estimativa de constituírem até 80% de todos os metazoários com mais de 20.000 espécies já descritas, de um número estimado em mais de 1 milhão de espécies atuais que incluem muitas formas parasitas de plantas e animais. Apenas os Arthropoda apresentam maior diversidade.

Entre as principais parasitoses destacam-se: 

Ascaridíase (Ascaris lumbricoides) → verme que vive e se reproduz no trato digestivo humano (intestino delgado). Mede, quando adulto, aproximadamente cinquenta centímetros, cujo modo de transmissão ocorre pela ingestão de ovos infectantes deste helminto, contidos no solo, na água ou nos alimentos contaminados com fezes humanas. 

Normalmente sem sintomatologia, contudo pode causar dor abdominal, diarreia, náusea (vômito) e anorexia (distúrbio alimentar), causando também obstrução intestinal conforme a grande quantidade de vermes; bronquite e pneumonia quando as larvas migram para o pulmão. 

Entre as medidas profiláticas destacam: higiene pessoal, lavar bem os alimentos e filtrar ou ferver a água antes do consumo e saneamento básico. 

Ancilostomose e Necatoríase (Ancylostoma duodenali e Necator americanus - amarelão) → vermes com cerca de 20 milímetros e extremidade em forma de gancho, reproduzindo-se através de ovos expulsos juntamente às fezes. Essas eclodem no solo quente e úmido liberando larvas capazes de penetrar na pele de um hospedeiro humano. 

Dentro do organismo, invade o sistema linfático e em seguida o circulatório, migrando para o coração e também para as vias respiratórias (o pulmão). Permanecem nos alvéolos pulmonares, progredindo aos brônquios e atingindo a faringe, sendo então deglutidas, passando pelo esôfago, estômago, atingindo o intestino onde depositam mais de 10.000 ovos por dia. 

Manifestando os seguintes sintomas: anemia por perda de sangue (o indivíduo fica com aparência amarelada), fraqueza, irritação na pele no local da penetração da larva. 

Medidas profiláticas: tratamento dos doentes, evitar contato com solo contaminado (uso de calçado) e saneamento básico. 

Entre as demais parasitoses também importantes estão: Ancylostoma braziliensis(bicho-geográfico ou larva-migrans), Wucherelia bancrofti (filaria) e Oxyurus vermiculares ou Enterobius vermicularis (oxiurose ou enterobiose). 


- CESTÓIDES, ou vermes chatos:

   Cestodeos são animais exclusivamente parasites, hermafroditas, sem aparelho digestivo, de celoma obliterado, geralmente constituído por um segmento anterior com órgão de fixação, o escolex, e uma série de segmentos constituídos por organismos sexuados oriundos, por brotação, do segmento anterior; evolução heteroxena por ovos simples ou com dois invólucros, embrião ciliado com 6 ganchos.



Fazem parte da Classe Cestoda quatro ordens:

• Cyclophyllidea cestódeos com 4 ventosas parasitas do homem e dos animais domésticos, tem 5 famílias de interesse veterinário:
• Taeniidae
• Anoplocephalidae
• Dilepididae
• Davaineidae
• Hymenolepididae

Pseudophyllidea cestódeos com 2 pseudobotrias, parasitos do homem e dos animais domésticos; tem uma família de interesse veterinário: Diphyllobothriidae

Tetraphyllidea cestódeos com 4 botrias, parasitos de peixes, anfíbios e répteis

Trypanoryncha cestódeos com 4 botrias e 4 tentáculos espiníferos, parasitos de peixes.

Tipos: 


-Teníase X Cisticercose:

São duas doenças distintas com sintomas e epidemiologia totalmente diferentes, apesar de serem causadas pela mesma espécie de cestódeo (parasita). 
  A teníase é causada pela Taenia solium e/ou pela Taenia saginata, também conhecida como “solitária”. 
Já a cisticercose é causada pelas larvas dessas espécies de parasitas.



Como se transmite? 
O homem é o hospedeiro definitivo e consequentemente a principal fonte de infecção deste parasita, sendo responsável pela transmissão aos animais e a si próprio. 
Teníase – é adquirida através do consumo de carne crua ou  insuficientemente cozida contendo os cisticercos (larvas). 
Cisticercose – através do consumo de alimentos contaminados com os ovos da tênia, frutas, verduras, hortaliças que não são higienizados corretamente, através do consumo de água contaminada, ou ainda, no homem com teníase pode haver a auto-infestação já que os ovos podem ser encontrados nas mãos do hospedeiro, na região perianal (ânus) e perineal, nas roupas e até mesmo na mobília da residência.





Ciclo evolutivo:
Teníase – a teníase é adquirida pelo homem quando ele ingere carne o cisticerco (larva) e este evolui para a forma adulta no intestino delgado. O verme adulto se fixa e começa a expelir os ovos e proglótides, que são excretados nas fezes humanas e podem contaminar o solo, a água e os alimentos. 



Cisticercose – Ao ingerir ovos viáveis da tênia, estes chegam ao estômago e liberam o embrião que atravessa a mucosa gástrica, vai para a corrente sanguínea e se distribui pelo corpo, pode alcançar diversos tecidos (músculos, coração, olhos e cérebro) aonde irá se desenvolver o cisticerco (larva). Ao atingir o cérebro causam a Neurocisticercose, que é a forma mais grave da infecção. 




Observações sobre a teníase/cisticercose:


O suíno não causa cisticercose no homem. O homem é que causa cisticercose no suíno. 
Um homem com teníase é uma importante fonte de transmissão de cisticercose e de teníase. 
O suíno não é fonte de transmissão, apenas participa do ciclo da doença que é transmitida a ele pelo homem. 
O homem não adquire cisticercose ao ingerir carne bovina ou suína crua ou mal passada, mas pode adquirir a teníase se não tomar os devidos cuidados. 
Os suínos e bovinos não possuem a tênia ou “solitária”, apenas o homem possui a fase adulta. 
Se não houver pessoas com teníase, não haverá cisticercose nos suínos e bovinos. 





- TREMATÓDEOS, providos de ventosas:

            Os tremátodes têm órgãos adesivos orais e ventrais que os fixam ao hospedeiro, do qual sugam tecidos, muco, fluidos e/ou sangue.
Os tremátodes que integram o ser humano no seu ciclo de vida - e que por isso provocam a doenças infecciosas tais como a trematodose - pertencem todos à sub-classe Digenea. Esta é, por sua vez, dividida de acordo com o alvo afectado pelo parasita, que pode ser tecidos, em particular do fígado, ou sangue.


Alguns tremátodes


Esquistossomose: doença causada pelo verme Schistosoma mansoni

A esquistossomose ou barriga-d’àgua é a doença causada pelo verme Schistosoma mansoni.
Trata-se de um verme de sexo separado, cujos machos medem cerca de 12mm de comprimento por 0,44 mm de largura. No meio do corpo ele possui um canal denominado ginecóforo, onde se aloja a fêmea no momento da reprodução. A fêmea é pouco mais comprida que o macho, mas tem o corpo mais fino.
Para compreender como a esquistossomose é adquirida é necessário o estudo de ciclo vital do esquistossomose (veja na ilustração ao lado).
Tudo começa quando as larvas do verme, as cercárias, penetram no organismo humano através da pele. Essas larvas são encontradas principalmente em águas paradas, de modo que o principal meio de contaminação é o banho em lagos infestados.
Os sinais e sintomas da esquistossomose têm relação com a locomoção dos vermes no organismo humano. Um dos sinais é o aumento do volume abdominal, popularmente chamada de “barriga d´agua”.
A profilaxia da doença se faz pelo combate ao caramujo, que é o hospedeiro intermediário

FONTES:

quinta-feira, 19 de abril de 2012

DOENÇA MACHADO-JOSEPH - A Doença do Tropeção


Houve, durante muito anos,  em certas localidades das ilhas dos Açores, uma enfermidade denominada pelo vulgo:  Doença do Tropeção. 

O povo e até os médicos consideravam  que esta doença  devia ser devido  à bebedeira ou então causada por doenças venéreas trazidas pelos  tripulantes de New Bedford, Massachusetts,   que andavam à  caça da baleia   no Atlântico Norte  e deixavam  a  marca do seu  mal nos Açores... As vítimas desta doença foram, durante muitos anos, ridicularizadas injustamente!
Em 1972 foram diagnosticados na área de Fall River  os dois primeiros casos da  Doença do Tropeção ou da Doença de Machado-Joseph.

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ator Guilherme Karan, afastado da profissão desde 2005, agora está em cadeira de rodas e vive isolado em casa. 

Ele sofre da doença Machado-Joseph.

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